Acordo na América do Norte traz alívio para o livre comércio

O presidente americano, Donald Trump, tem uma obsessão com o déficit comercial dos Estados Unidos. Em sua visão, se os americanos importam de um país mais do que exportam para ele, isso é um sinal de fraqueza. Para Trump, não cabe a explicação de que, na verdade, os Estados Unidos estão ganhando  porque têm acesso a produtos e insumos mais baratos. Isso ajuda as empresas americanas a ser mais competitivas no mercado global e faz com que os consumidores gastem menos ao comprar alimentos, roupas, celulares, computadores, carros e outros produtos.

Trump chama os tratados de livre-comércio de “horríveis”,  “doentios” ou “muito estúpidos”. O Nafta (o Tratado de Livre Comércio da América do Norte, assinado por México, Canadá e Estados Unidos em 1993) sempre foi apontado por ele como “o pior acordo comercial da história”. Por causa desse discurso, empresários e investidores temiam que a continuidade do Nafta estivesse ameaçada — e isso seria um desastre para as economias mexicana e canadense. Não foi o que aconteceu. Depois de meses de negociação, os governos dos três países concordaram em fazer mudanças e chegaram a um entendimento. Foi um alívio para as empresas e para quem mais temia uma escalada protecionista dos Estados Unidos.

O acordo comercial foi rebatizado de USMCA, sigla para Estados Unidos, México e Canadá, em inglês. A mudança no nome é apenas cosmética. O desenho geral do tratado continua o mesmo. O que muda é que há algumas políticas novas que beneficiam segmentos específicos da indústria americana, ligadas ao eleitorado de Trump. O setor automobilístico, por exemplo, terá de usar mais peças e componentes produzidos num dos três países, em vez de importá-los da China, do Brasil ou de outras regiões. Além disso, um terço da produção dos carros deverá ser feito por trabalhadores que ganham mais de 16 dólares por mês — um nível de salário alto para os padrões mexicanos, mas em linha com o que se paga nos Estados Unidos e no Canadá.

Outro setor beneficiado é o agropecuário. O governo canadense concordou em reduzir barreiras para a importação de alimentos dos Estados Unidos, especialmente de laticínios. Esse é um mercado altamente protegido no Canadá. Mais uma novidade: fabricantes de remédios e produtores de filmes e séries de TV terão mais proteções de direitos autorais e de patentes no México e no Canadá. “É uma vitória para os Estados Unidos, mas é uma vitória para o sistema de comércio como um todo porque mostra que, no final das contas, há uma intenção de os americanos preservarem as regras mínimas de comércio”, diz Gabriel Petrus, diretor executivo para o Brasil da Câmara Internacional do Comércio e colunista do aplicativo EXAME HOJE.

Revista EXAME

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